Esse blog cheio de posts, a alegria do meu fiel público mudo ( haha!) significa que o meu roteiro está paradãoooo.
Mas, ok, tenho prazos pela frente, logo, terei produção na base da pressão.
E a frase de algum filme - provavelmente americano e provavelmente idiota - ecoando: I want my life back!
No caso, eu quero minha alegria back!!!
hmpf...Ouvindo Zeca Baleiro saudosa....acho que eu não tô legal...carasca, com o Fagner!
Eu confesso, porque todo mundo tem seus lados heterodoxos: Eu adoro o Fagner ( em doses homeopáticas, mas sim, adoro) .
E se o momento é de confissões, eu também passei uma época viciada no videoclipe do Hello do Lionel Ritchie. É fenomenal! E o pior é que não foi um vício recente. No meu aniversário de 11 anos (acho) fiz uma festinha no Playground do prédio e pedíamos pra minha mãe, que era a DJ da festa "tia, toca Rélou!" e ensaiávamos as primeiras danças "junto" .
Bom, al Flamenco!
um trecho de um soneto escrito por um Bruno que desconheço, descoberto pelo link do link.
peço um pouquinho mais de paciência
para te entregar devagar minha essência.
http://naexpectativa.blogspot.com/
Achei lindas essas frases. Essa paciência que me falta mais do que para receber, para dar.
Penso por que entreguei minha essência de bandeja, com a sofreguidão e a certeza de um amor que parecia ter chegado para ficar.
Eu não me arrependo de nada. Mas até quando?
Será que as pessoas que não dominam o conceito de SAUDADE em seu idioma não a sentem?
Eu não tive tempo de escrever sobre o amor.
Eu estava vivendo. Eu estava acreditando que teria todo o tempo do mundo para vivê-lo e escrevê-lo. Eu achei que finalmente eu poderia sê-lo.
E assim ele passou por mim.
Uma ventania que muda todas as coisas de lugar.
E eu que achei que não o estava buscando, vi como o queria perto.
Me lembrei de como tudo muda. Me lembrei das cores que eu passei a ver. E tive certeza de que tudo até aquela noite ( fatídica ou mágica? só o tempo dirá) fazia estranhamente sentido. Toda uma vida errante. Eu pelo meu lado, ele pelo dele. Umas vidas de errância para chegar ali. Eu achei que, com isso resolvido, o resto seria consequência.
E, claro, vi de novo que no final eu sou uma romantiquinha. Uma Sabrina, Júlia ou Bianca que prestou atenção às aulas.
Mas não. Já decidi que não vou me auto flagelar. Lo siento.
Parece ser a única coisa que consigo falar no final das contas: lo siento.
Eu pensei que eu pudesse ser diferente. Que eu pudesse de alguma forma fugir de mim, da minha maneira habitual de fazer as coisas, mas vi que preciso do meu tempo.
E vi que meu corpo ainda está absolutamente impregnado de sua presença, que não há espaço para outro toque, outro carinho, outro cheiro, outro gosto.
E me senti com 15 anos, uma moçoila confusa que bem que gostaria, mas que não pode ainda perder sua virgindade.
Lo siento. No te enfades. Lo siento mais uma vez.
E o pranto solto e a convicção de que só o tempo.
Só o tempo.
Entre citar o Lobão anosoitentamente "tá tudo cinza sem você, tá tão vaziooooooo" e pensar que sou uma mulher sóbria em um inverno que está começando, escolho ser SÓBRIA.
E passar dois dias às voltas com minhas tatuagens invisíveis, estas que pertecem àquela noite. Mágica ou fatídica? O tempo dirá. E revirando-as. E aprendendo pouco a pouco o adobe premiere, esse programa que me permitirá fazer outras tantas coisas.
Entre obsessiva e perseverante, me mandarei transparente para Novi Sad. Esse lugar na Sérbia que tem uma atração sobre mim desde que li a etnografia daquele antropólogo holandês que não me lembro o nome. Minha orientadora me dizendo que tinha a ver comigo. E ela nem sonhava que o que me aproximava não era só o texto. Era aquele caos, aquela música, aquela Novi Sad do meu imaginário.
E o que era explosão de alegria virou uma espécie de exorcismo. Chegar e partir são dois lados da mesma viagem. Encontros e Despedidas.
E hoje, ao sair por esse bairro que costumava ser meu, me senti intrusa. Acho que não quero mais estar evitando caminhos, dobrando as esquinas com medo de encontrar o que não quero encontrar. Fiquei aliviada de pensar que em breve vou partir.
E outro dia, no Cafe Lisboa, rodeada de austríacos, ressucitei meu alemão.Troquei idéias mirabolantes e prometi uma visita a Austria. E fiquei pensando no leste de novo. E de repente Novi Sad está no meu email.
Será minha partida ainda mais breve?
E esse setembro parece que foi há mil anos. Parece que foi um sonho, uma miragem, um desvio. E os vestígios dele são apenas as minhas tatuagens invisíveis. Nenhuma prova concreta. Olho para "this photograph is my proof". Ain´t got no proof. Eu e Nina Simone. Ela com o vozeirão e eu com minha vozeirinha.
E a ferida de músculo parece que está fechando, mas vc respira e sente de novo. Tem que sarar no movimento.
E ouço ao fundo, sem saber de onde vem, um assobio com a melodia de Guantanamera. Ha ha ha.
Não se sabe se un clavo saca el otro até o momento que você experimenta. Eu nunca achei que isso funcionasse, mas estou estranhamente acridoce. Agridulce. Adoro essa palavra.
Vou criar um blog anônimo: la agridulce de Novi Sad
- Mas aí não vai ser anônimo.
- Dãaaaa. Eu sou lusitana, ora pois.
PD: Como esse blog é informativo, aí vai o link do livro citado: http://www.amazon.com/Gypsies-Wars-Other-Instances-Wild/dp/9053563156
Shakespeare and Co - Paris - Um sábado.
Li no site que faziam uma espécie de tarde de leitura aos sábados. Cada um levava seus textos, lia e a galera comentava e talz. Lá fui eu. Sem nada meu escrito, claro. Claro porque eu não costumo escrever em francês, nem em inglês. Mas tudo bem. Cheguei na sala no andar de cima e um senhor baixinho e gordinho de cabeça branca com sotaque americano lia e relia um poema seu que era tão sucinto que eu não entendi. Tão sintético. Umas quatro palavras só. As duas senhoras, o rapaz de aparelho nos dentes e o mediador inglês com cara de pateta faziam cara de paisagem. Ou de que estavam absorvendo. Eu não vi minha cara, mas estava chegando, não fiz cara de nada, acho.
Leu outro poema. Contou sua história como fotógrafo. Poemas escritos em 1967. Uau!
O rapaz leu um poema seu que eu primeiro achei que tinha entendido algo super metafórico sobre cascas de banana no chão. Você tentar se mover e não conseguir. E gostei. Depois ele explicou que não era nada metafórico. Foi inspirado no tombo que o pai levou numa maratona. Ah ta. Aí já não gostei tanto.
Leu outro bem adolescente. Fofinho.
Todo mundo falando inglês ali. Lá fora era Paris. Era Paris cheio de turistas (me included), mas ainda era Paris. Ainda era França. Ainda se fala francês lá.
Achei meio antipático isso de tudo na livraria ser em inglês. Mas, ironicamente, foi o que me permitiu participar. Em francês eu teria até entendido, mas teria ficado muda.
E não dar minha opinião é algo que me causa úlcera.
Não, não trouxe nada meu. Não escrevo em inglês. My english is rudimentary. Sorrisos amáveis.
Depois o inglês sugeriu que fizéssemos um exercício. Escrever algo usando a seguinte frase:
we haven´t any passion either of us.
Metida como eu sou, mesmo com o rudimentary, lá fui eu.
I look at the night lamps that match
We have more than enough space between them.
His left foot doesn´t react to mine.
"It´s winter inside", I think
I turn and look frustrated to the wall and say to myself
"We haven´t any passion either of us"
But I can´t stand this lie I make up to avoid pain.
I finally cry over his loss.
I finally accept his cold body.
Escrita na agenda da irmã do Daniel, quando ela tinha 16 anos:
Se você me ama, foda-me!
Se você não me ama, foda-se!
Porque a gente se complica tanto com questões existencialistas?
É tudo muito simples...