Agora estou aqui
http://desnorteada.wordpress.com
A tradução aqui é assim mesmo, desigual, puxando mais para o dramón quando em espanhol.
O fato é que esse blog assim, desse jeitinho vai fechar suas portas virtuais. Mas, como minha brasilia amarela está sempre de portas abertas pra módi a genti si amáaaaaaaa, em breve abrirei meu livro aberto em outro cybercanto.
Hasta la vista!
Ano novo começando e com ele sempre os votos, as metas e a lista aparentemente obsessiva de coisas por fazer. Desde projetos elaborados, perder alguns quilos, dançar mais flamenco, dançar mais, algum tipo de meditação, aproveitar melhor meu tempo com menos internet e mais leitura. Cheguei ao ponto de fazer uma grade diária tipo colégio, hora a hora, mas não tive a cara de pau nem para encará-la. Também ver mais televisão (sei que soa absurdo, mas faz parte dos planos, dos projetos), só namorar pessoas com referências, me alimentar melhor, e, por favor, de uma vez por todas, ganhar dinheiro.
mas no meio de essa lista de metas, desejos, planos, fiquei pensando na paz. O que é que me traz paz. Ouvir um contrabaixo de jazz, estar com meu filho, ler jornal na rede da casa da minha mãe, boiar no mar, e, por incrível que pareça, ouvir música andando de ônibus pela lagoa ou aterro do flamengo. Andar de bicicleta pelo rio Turia, escrever na madrugada silenciosa, ler na cama aos domingos, sabendo que posso voltar a dormir.
Que o ano se inicie com muita paz para todo mundo.
Enquanto eu mergulhava naquele mar com temperatura perfeita me lembrava que há poucos dias ensinava meu filho a pegar jacaré. Me senti tão em casa aquaticamente. Fiquei observando como essa ciência do jacaré, que envolve cálculo e intuição, tem a ver com uma intimidade com o mar. Pensei nessa relação que é de aconchego, mas de eterno respeito também. Talvez seja uma boa metáfora, para o quê, ainda não sei.
"Mami, te amo" e um beijo suave na minha bochecha. Me pergunto se há maneira mais linda de despertar.
E eu perguntei se ele ficava triste. Eu sei que ele deve ficar triste em algum momento. É uma pessoa, é humano. Mas não sei, na minha fantasia fantasiosa, na minha sua imagem, não consigo imaginá-lo triste. Preocupado, puto, paranóico, indignado, cansado, sim, mas triste? Não consigo. Deve ter algo de sua presença etérea que me faz achar isso. Algo tão etéreo como esse pequeno vazio.
Entre idas e vindas, até a próxima.
Aqui nestes ultimíssimos momentos, living la vida loca.
Uma noite que valeu por duas e que me deixou numa ressaca monstra ns clássica última sexta feira. Eu sou especialista em enfiar o pé na jaca quando tenho algo importante no dia seguinte. E assim foi. Acordando de supetão em cima da hora e só percebi a ressaca na sala de espera da reunião. Aí entra aquela mente calculadora e masoquista passando a nota de quanto foi bebido. E quando cheguei no vinho de quinta às 7 da manhã com meus mais novos melhores amigos de infância no terraço da casa, achei que fosse desmaiar. Mas depois de suar frio, uma reunião muito boa e mais caminhos e portas abertas e as pontes que eu queria construir voltando pra cá acho que estão erguidas.
E começaram as despedidas. E um apertinho no coração e paralelamente a contagem regressiva pra encontrar o Santi.
E fiquei pensando em como é difícil para os homens aceitarem que uma mulher pode simplesmente só querer fazer sexo. Com carinho, com afeto, com respeito, mas sem estar conectada pelo amor romântico.
Ou não. Pode simplesmente ser um acúmulo de bagagem que não deixa mais espaço para a espontaneidade. Sei lá. Eu fico cada vez mais convencida que eu tenho uma resiliência emocional que me permite coisas que muitas vezes as pessoas não conseguem entender.
Ih, sei lá. Vou lá fazer um bobó de camarão.
e meu coração partiu
Eu sei que eu sou maravilhosa, fantástica, incrível, demais, uau! Agora se eu tenho uma vocação é para ex.
Mistura um pouco de idiotice, com um pouco de sensatez, um taoísmo barato, uma memória seletiva e um coração que não consegue guardar rancor e aí vc tem a ex perfeita: eu.
hahaha
Mas a verdade é que contudo, todavia, entretanto, eu fico feliz de olhar para os ex-amores e reconhecer o que foi de bom, o carinho, o afeto que fica. Os barracos, as babaquices, as covardias, as dores, as lágrimas sofridas, as marcas...bom, tudo isso é história e no final das contas faz a gente mais gente.
Eu acho que estou fazendo tudo certo. Tudo bastante razoável. Fiz o que pude. Ele fez o que pôde. A vida é assim. Amor que vai, amor que vem. Sem idéias pequeno-burguesas de encontrar o porto seguro. Não há segurança. Ninguém te disse que não há segurança quando se fala de amor? E todos os passos possíveis e sensatos e razoáveis foram dados. A conversa olhando no olho que dissipa a raiva e a incompreensão. A tristeza e o pesar da impossibilidade. Mas impossibilidade de que? Ou de quem? Da vida? Das circunstâncias? Minha ou sua? Impossibilidade de um amor intrinsecamente romântico e com pouquíssimas conexões com a vida real.
Uma porta para um universo, um jardim mágico, uma existência antes imaginada, mas não vivida de todo. E no umbral dessa porta, com um pé lá e outro cá. Por não poder aguentar os matices grises, ele lhe dá as costas. Nos dá as costas. E eu não posso entrar lá sozinha.
E me agrada me sentir madura. Eu aceito a impossibilidade. E é tudo civilizado. Eu também dou as costas. E caminho com a cabeça erguida. Eu sei que tudo passa. Eu sei que isso também passará. E já nem me permito mais desabar e me destroçar e me descabelar. Eu sei que tudo passa. E que vai passar. Eu sei que vou ler esse texto e reconhecer como tudo isso foi verdadeiro e dramático e exagerado. E sei que vou também pensar que estou melhor hoje. E vou corroborar minha idéia taoísta de que o caminho é sempre o melhor caminho.
E tudo isso que eu sei me ajuda a estar bem, viva, animada, produtiva. Sim. Há toda uma vida minha antes, durante, depois e apesar disso. Sempre houve e sempre haverá. Há muitas coisas que me fazem feliz e me completam e me alimentam. Há todo um universo de possibilidades. Até há o vislumbre de encontrar um outro amor. Mais maduro ou mais fácil, até mais intenso. Eu sei que há. E seguramente haverá.
E com todos esses saberes que eu tanto prezo, esses que me fazem uma mulher madura e em paz, há as incongruências.
Os pensamentos tóxicos que tomam o corpo.
Um aluguel de um carro conversível com um cartão de crédito roubado e um seqüestro a mão desarmada.
Sua rua cheia de rosas e eu nua no meio.
Frases desconexas e viscerais em suas paredes.
Eu improvisando em um tablado no meio da sua rua. Eu terei composto a letra da soleá que o cantaor gitano se esgoelará.
Ou simplesmente eu, sem nenhum subterfúgio, sem nada espetacular. Eu com minhas lágrimas. Eu com roupas, mas desnuda. Eu com seu nome escrito em todo o meu corpo com letras invisíveis. Eu em silêncio suplicando com o olhar. Eu em silêncio. Eu em silêncio banhada em lágrimas.
Mas eu sei que não farei nada disso.
Eu sei que isso passa e que passará. Talvez antes do que eu imagine.
E meu coração se acelera um pouco, mas nada que se deixe perceber no sorriso amável e civilizado. Que tal? Todo bien. Tudo civilizado e razoável e maduro e sensato. Eu não me ajoelho e me agarro aos seus pés sem deixar que ele siga. Eu continuo a história animada que contava na mesa. Eu rio com amigos. E me divirto. E me agrada me sentir madura e razoável e sensata. Eu sou uma mulher de 32 anos com um filho e uma vida anterior e posterior a tudo isso. Eu sou a Ana Pacheco. E posso ser encantadora. E posso apresentar o meu roteiro com propriedade. E sou profissional, e responsável e íntegra. Eu tenho quinhentos projetos que não cabem em uma vida. Eu tenho muita saúde e muita energia e muita vida pela frente.
E eu olho para a possibilidade incongruente de ser tomada pela loucura, pela insensatez, pelo absoluto arrebato e rio.
Sorrio e escrevo porque sei que isso passa. E passará.
Melhor terminar antes que eu comece a parafrasear o Lulu Santos.

on Jose Merce - Aire